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segunda-feira, 15 de novembro de 2010

A ideia do Transcendente

                                                                                                                
              As religiões surgem em diferentes regiões geográficas, inspiradas pelas histórias vividas pelos povos, pela arte, pela política, pelo pensamento filosófico de uma determinada época, e por tantas outras influências. Sendo assim, cada uma delas tem expressão própria identidade.

            O Transcendente, o Ser Supremo, é também concebido com características peculiares. Muitas vezes ele é concebido como  feminino, sendo reconhecido como uma Deusa, como Divina Mãe, como Deusa primordial, etc. Outras vezes sua face é masculina, sendo concebido então como: o Deus dos judeus, dos cristãos, dos muçulmanos, etc.

             Mas, mesmo nestas culturas o Transcendente pode ser reconhecido como tendo aspectos do feminino e do masculino. As divindades Hinduístas possuem esposas que lhes complementam, as religiões de afro-descendentes possuem Orixás femininos, como Iemanjá, por exemplo. Mesmo para alguns teólogos  cristãos, Deus é Pai e Mãe.

            Este Transcendente sempre nos dá a indicação da necessidade principal de seu povo. Para os judeus que viviam como escravos, Deus é o Senhor dos exércitos que elegeu este povo como escolhido, podendo deste modo livrá-lo da escravidão. Para os cristãos Deus se manifesta por meio de Jesus Cristo como Amor Absoluto, ajudando-os a conviver em meio à diferença; para os povos de floresta, o Transcendente aparece como força da natureza.

            As religiões se utilizam de símbolos para representar as diferentes idéias de Transcendente. Uma cruz faz com que todo o cristão se lembre de seu Deus e de Jesus, uma estátua de Buda, pode lembrar aos budistas sobre os ensinamentos de seu guia espiritual, uma determinada cor usada na roupa pode lembrar a proteção de determinado Orixá para um candomblecista, e assim por diante.

Não são apenas os idiomas que diferem, ou a cor da pele, é também a forma de cultuar, de nominar, de simbolizar a representação do Transcendente.

            As Tradições Religiosas utilizam-se também de festas. Elas têm o objetivo de transmitir os ensinamentos de maneira formal ou até mesmo lúdica, isto é, através de ritos que envolvem brincadeiras, cânticos, danças, comidas, etc., despertando assim, através de experiências inspiradoras, a consciência e a fé dos seguidores.

Emerli Schlögl

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A Disciplina de Ensino Religioso

Gostaria de introduzir as postagens deste blog trazendo um resumo dos objetivos e metas que a Proposta Curricular de Santa Catarina apresenta para a disciplina de Ensino Religioso:

A implementação da disciplina de Ensino Religioso “trata de oferecer ao educando a possibilidade de perceber a transcendência da sua existência e de como isso confere nova dimensão ao seu ser, nele imprimindo uma marca diferenciada para a construção de uma sociedade mais justa, centrada na solidariedade, na defesa e na promoção integral da vida.

A disciplina do Ensino Religioso para o Ensino Fundamental valorizando o pluralismo e a diversidade cultural presente na sociedade brasileira, em particular na realidade catarinense, facilita a compreensão das formas que se expressa o Transcendente na superação da finitude humana e que determinam, subjacentemente, o processo histórico da humanidade. Por isso necessita:

a) “proporcionar o conhecimento dos elementos básicos que compõem o fenômeno  religioso, a partir das experiências religiosas percebidas no contexto do educando;

b) subsidiar o educando na formulação do questionamento existencial, para desenvolver-se em profundidade, para dar sua resposta devidamente informado;

c) analisar o papel das Tradições Religiosas na estruturação e manutenção das diferentes culturas e manifestações socioculturais e econômicas;

d) facilitar a compreensão do significado das afirmações e das verdades de fé das Tradições Religiosas;

e) refletir o sentido da atitude moral, como conseqüência da vivência no fenômeno religioso e expressão da consciência e da resposta pessoal e comunitária do ser humano;

f) possibilitar esclarecimentos sobre o direito à diferença na construção de
estruturas religiosas”(PCNER, 1997,p.30 e 31).